Dossiê
Presídio ou câmera
Os planos capixabas de segurança já estão no TSE. Três chapas ampliam cadeia. Duas nomeiam controle da força. Nenhuma fecha o indicador com o conselho.
por Redação Território · 2026-08-28

O Datafolha de fins de 2025 pôs a segurança atrás só da saúde entre os problemas do país. No Espírito Santo, a gestão comemora queda de homicídios e o Estado segue acima da média nacional. O que os cinco planos protocolados fazem com isso?
O Século Diário leu os documentos em 25 de agosto. Em 24 de agosto, a Gazeta obrigou as cinco chapas a falar facção no mesmo espaço. O corte se confirma — e se aprofunda.
Direita: vaga, organograma, El Salvador
Ferraço promete quatro unidades prisionais, Centro Integrado de Defesa Social, totens e, na Gazeta, uma Política Estadual Permanente com Subsecretaria de Enfrentamento às Organizações Criminosas. Pazolini fala em segurança preditiva, reengenharia prisional e videomonitoramento com inteligência artificial. Barcelos declara reocupação no primeiro dia e presídio de segurança máxima inspirado no CECOT salvadorenho.
Há número (unidades a construir) e há sigla nova. Não há, no recorte, controle externo da força nem meta pública de preservação da vida.
Esquerda: câmera e prevenção
Helder Salomão escreve *medir o resultado pela morte que se evita, não só pela prisão que se contabiliza*. Câmeras corporais, pacto contra feminicídio, SUSP, conselhos comunitários. Na Gazeta, acrescenta Força Tarefa com COAF, Receita e Ministério Público. Demuner recusa a *lógica militarista imediata* e, no card de facções, aponta o sistema financeiro — o caso Banco Master — como sustentação do crime.
Há instância, há limite à força e agora há o dinheiro. Falta, no corpus, o indicador cobrável no debate — tempo, taxa, endereço.
O que o pleito deveria perguntar
Segurança é política pública quando o plano nomeia indicador, controle e prevenção de território. Ampliar cadeia sem conselho é organograma. Câmera sem número é princípio. Os dois lados desta eleição capixaba ainda devem a terceira perna.